quarta-feira, 10 de janeiro de 2001

Solidão é...

amar e não ser amado
ter que sorrir e por dentro chorar
lembrar e não ser lembrado
esperar por aquilo que nunca virá
sonhar absurdos devaneios
ter que esquecer querendo lembrar

sexta-feira, 3 de novembro de 2000

Confusão...

Tentar esquecer, querendo lembrar
Tentar não pensar, enquanto os sonhos tomam conta de mim
Tentar entender o que não tem sentido... o que não é para ter sentido
Estar confuso é assim... é tentar suplantar o sentimento com a razão
É tentar esconder o que é óbvio
É tentar se convencer do absurdo
É tentar viver sem amar... confusão

quinta-feira, 2 de março de 2000

Saudades, Saudades, Saudades...

Tempo e tempo passando sobre a alma e o som da liberdade ofuscado pelo ruidoso tilintar da solidão. Mares e oceanos de distância o separam de seu amor. Mas não distância física pois dessa já se libertou, mas a distância que não sabe expressar senão em um grito mudo de aflição. Passa e passa o tempo aprendendo o duro ofício de viver, aprendendo talvez a atingir o horizonte infinito sem nem mesmo sair do lugar. E pensar um dia ser poeta sem saber em palavras expressar a angústia e a dor do sofrer. E o poeta é esse que deriva ao mar da emoção, composto de suas lágrimas, correndo à ilha do esquecimento. Poeta que sabe sentir mas não sabe o que sente, sabe pensar mas lhe falta o agir.
Aprende e percebe então que a vida tem um, só um, sentido e direção, que não conhece mas sabe que é dirigida e mantida pela brisa forte, suave e imperceptível do agir de Deus.

quarta-feira, 1 de março de 2000

Saudades, Saudades, Saudades...

A calmaria acaba e mais uma vez o mar bravio esbraveja sua fúria sobre o agonizante barco. Que esperança há se perder a única coisa que o liga a si mesmo? Que esperança se te perder? Quais sonhos se perderão? Quais conseguirão se safar? E o pequeno diário de bordo da embarcação será então os únicos ouvidos a escutar a solidão reinante sobre o véu oceânico? Quem vai ouvir a
sua voz? Quem vai enxugar as suas lágrimas? E o vento sopra bravio e talvez não lhe tenha tirado a direção, ou parado de apontá-la, mas somente o entusiasmo e a força para seguir e construir o sonho outrora tão vivo.
Não, não pode ser assim. O amor não morre por vontade da razão! Na verdade o amor nunca morre, apenas se esconde para, talvez, um dia, voltar à tona. E o barco continua à deriva mais isolado do que nunca.

terça-feira, 29 de fevereiro de 2000

Saudades, Saudades, Saudades...

O barco navega entre calmarias e tempestades. Muitas vezes os rochedos de alguma ilha desconhecida se aproximam ferozmente tentando devorar os movimentos às vezes lentos da nau desgovernada. Só o vento e as ondas carregam o pequeno barco e lhe dão direção. Dia após dia persiste em navegar e sabe que há de chegar ou encontrar algo. Mas em toda sua jornada, mesmo sem saber em que parte dela está, liberta-se de tudo o que ficou, inclusive a distância. Não pode
medí-la e nem sentí-la e sabe que a pode superar. Por isso em toda ela não deixa de amá-la pois na verdade ela está bem ao seu lado e não há mais distância.
Mesmo assim sente-se só no imenso oceano mesmo que hajam vários outros a navegar, pois a neblina por sobre a água os separam em milhas, sendo cada um por si, em sua própria direção, com seu próprio guia.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2000

Saudades, Saudades, Saudades...

Eu saúdo a solidão e festejo a independência, e como barco que sai do porto em direção ao mar aberto embarco a âncora de todos os sonhos e esperanças e velejo sempre para o Norte, mesmo sem saber que direção é esta.
Mesmo que todas as tempestades venham a tentar barrar a rota incerta que estou a percorrer, nada pode me ancorar e ao meio do caminho fazer-me desistir. E vou. E vou. E vou. Pelo vento que ninguém sabe de onde vem e pelo sopro do amor, do sonho e da vida, para sonhar cada vez mais a única coisa que há de me fazer querer voltar. Mas sei que pelo meio do caminho te encontrei e não deixarei de sonhar e acreditar que caminharás comigo, ao meu lado, para o nosso objetivo alcançarmos.