quinta-feira, 2 de março de 2000

Saudades, Saudades, Saudades...

Tempo e tempo passando sobre a alma e o som da liberdade ofuscado pelo ruidoso tilintar da solidão. Mares e oceanos de distância o separam de seu amor. Mas não distância física pois dessa já se libertou, mas a distância que não sabe expressar senão em um grito mudo de aflição. Passa e passa o tempo aprendendo o duro ofício de viver, aprendendo talvez a atingir o horizonte infinito sem nem mesmo sair do lugar. E pensar um dia ser poeta sem saber em palavras expressar a angústia e a dor do sofrer. E o poeta é esse que deriva ao mar da emoção, composto de suas lágrimas, correndo à ilha do esquecimento. Poeta que sabe sentir mas não sabe o que sente, sabe pensar mas lhe falta o agir.
Aprende e percebe então que a vida tem um, só um, sentido e direção, que não conhece mas sabe que é dirigida e mantida pela brisa forte, suave e imperceptível do agir de Deus.

quarta-feira, 1 de março de 2000

Saudades, Saudades, Saudades...

A calmaria acaba e mais uma vez o mar bravio esbraveja sua fúria sobre o agonizante barco. Que esperança há se perder a única coisa que o liga a si mesmo? Que esperança se te perder? Quais sonhos se perderão? Quais conseguirão se safar? E o pequeno diário de bordo da embarcação será então os únicos ouvidos a escutar a solidão reinante sobre o véu oceânico? Quem vai ouvir a
sua voz? Quem vai enxugar as suas lágrimas? E o vento sopra bravio e talvez não lhe tenha tirado a direção, ou parado de apontá-la, mas somente o entusiasmo e a força para seguir e construir o sonho outrora tão vivo.
Não, não pode ser assim. O amor não morre por vontade da razão! Na verdade o amor nunca morre, apenas se esconde para, talvez, um dia, voltar à tona. E o barco continua à deriva mais isolado do que nunca.