terça-feira, 29 de fevereiro de 2000

Saudades, Saudades, Saudades...

O barco navega entre calmarias e tempestades. Muitas vezes os rochedos de alguma ilha desconhecida se aproximam ferozmente tentando devorar os movimentos às vezes lentos da nau desgovernada. Só o vento e as ondas carregam o pequeno barco e lhe dão direção. Dia após dia persiste em navegar e sabe que há de chegar ou encontrar algo. Mas em toda sua jornada, mesmo sem saber em que parte dela está, liberta-se de tudo o que ficou, inclusive a distância. Não pode
medí-la e nem sentí-la e sabe que a pode superar. Por isso em toda ela não deixa de amá-la pois na verdade ela está bem ao seu lado e não há mais distância.
Mesmo assim sente-se só no imenso oceano mesmo que hajam vários outros a navegar, pois a neblina por sobre a água os separam em milhas, sendo cada um por si, em sua própria direção, com seu próprio guia.

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